A
alquimia pode ser entendida como uma arte antiga que mescla elementos de diversos campos, como a
Física, a
astrologia, a
medicina, o
misticismo, a
religião, entre outros. Tal arte desenvolveu muitos saberes na busca por seus objetivos, impactando, principalmente, a
Química.
Embora historiadores defendam que a Química tenha surgido da alquimia, é válido dizer que a alquimia não foi uma ciência empírica ou uma “pré-química”, considerando sua relação com o misticismo. O alquimista, praticante da arte, acreditava que a realização dos saberes causava a si uma grande evolução espiritual.
História da alquimia
A origem da alquimia é tema de muito debate, pois não há um consenso. Alguns autores defendem que há dois ramos principais: a alquimia chinesa e a alquimia ocidental, a qual englobaria, ao longo do tempo, aquela desenvolvida no Egito, na Mesopotâmia, na Grécia, em Roma, na Índia, em países islâmicos e na Europa. Isso porque a alquimia pode ter se iniciado e desenvolvido de forma independente em diversas áreas do planeta em épocas distintas ou próximas.
Objetivos da alquimia
- a transformação de metais comuns em metais mais “nobres” ou “superiores”, como o ouro;
- produzir um elixir que seria capaz de curar toda e qualquer doença;
- prolongar a vida ativa de um indivíduo ao ponto de que ele se torne imortal.
*Tudo isso com a ideia de que tais práticas tornariam o alquimista espiritualmente curado ou elevado.
Alquimia e a Pedra Filosofal
A influência árabe na alquimia trouxe consigo a palavra elixir. Segundo os alquimistas, as transmutações dos metais só ocorreriam por intermédio de um elixir. Diversos eram citados nos escritos, mas havia um elixir mestre, conhecido como Pedra Filosofal, que poderia ser utilizado para todo tipo de transmutação.
Os 14 símbolos usados na Alquimia
Alquimia e o elixir da imortalidade
A busca por um elixir que pudesse aumentar a duração da vida, ou até mesmo tornar alguém imortal, foi objetivo de busca de quase todas as escolas alquimistas, como os chineses, os indianos, os egípcios, os gregos e os árabes.
No caso da
alquimia indiana, em que havia mescla de misticismo e religião, a manipulação de fluidos derivados de elementos básicos e mercúrio (considerado sêmen do
deus Shiva) poderia produzir elixires que seriam capazes de prover poderes mágicos, como longevidade física e, em casos sucessivos, a transformação do corpo em algo além e distante das limitações da matéria física.
Na alquimia chinesa, havia a preocupação da produção de um elixir ou uma pílula da imortalidade, uma substância que, ao ser ingerida, agiria sobre órgãos essenciais do corpo, alterando-o de modo que o indivíduo seria capaz de viver centenas de anos ou, até mesmo, atingir a imortalidade, e assim se tornar um ser divino.
Principais alquimistas
Teria sido um sábio que viveu no Egito Antigo. Trismegisto significa “três vezes grande”.
Viveu no
Egito Romano e foi considerada uma das maiores alquimistas já existentes. É conhecida pelas suas características inovadoras, como o desenvolvimento do aquecimento conhecido como “banho-maria”.
Viveu entre os séculos III e IV d.C., sendo um sacerdote-artesão egípcio, com uma obra imprescindível para a alquimia antiga. Seus escritos abordavam práticas metalúrgicas.
Jabir ibn Hayyan (Geber)
Conhecido pelo seu nome latinizado, Geber, é considerado alquimista árabe e um dos fundadores da
farmácia moderna. Nasceu na província de Khorasan, no Irã, em 721 d.C. A ele são atribuídos centenas de livros de alquimia."
Jabir ibn Sina (Avicena)
Nasceu em 980 d.C., em Bukhara, no atual
Uzbequistão. Destacou-se principalmente com suas obras de medicina, como o Cânone, o qual serviu de base para estudos médicos nas principais universidades europeias por, pelo menos, cinco séculos.
Philippus Aureolus Theophrastus Bombast von Hohenheim (1493-1541) foi um suíço mais conhecido como Paracelso. Polêmico e beberrão, defendia que a alquimia deveria centrar na produção de fármacos, não na transmutação de metais em ouro. Defendia a tese de que veneno se combatia com veneno, por isso, defendia o uso de substâncias tóxicas como mercúrio e arsênio para tratamentos.
Também escrito como Nicolas Flamel, viveu entre 1330 e 1418, e foi proprietário de uma livraria em
Paris. Tinha grande paixão pela alquimia e dizia ter conseguido transmutar chumbo em ouro. Entretanto, pelo documento que ele deixou e que foi traduzido posteriormente, não foi possível, pelas instruções de Flamel, transmutar chumbo em ouro.
Isaac Newton
Um dos cientistas mais importantes da história, Newton também se debruçou sobre a alquimia por muitos anos. Manuscritos seus que vieram a público descrevem a preparação de uma substância que converteria metais em ouro e faria qualquer um jovem novamente, uma clara referência à Pedra Filosofal.
Alquimia na atualidade
Após o período de letargia causado pelo desenvolvimento da Química, o interesse na alquimia ressurgiu no século XIX, com correntes ligadas ao ocultismo e à teosofia, principalmente por meio das figuras de Helen Blawatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, e de Albert Poisson e Emile Grillot de Givry, que publicaram diversos livros acerca da história das ciências ocultas, assim como praticaram alquimia material.
No começo do século XX, alguém, sob o pseudônimo Fulcanelli, republicou livros sobre os símbolos alquimistas do século XV presentes em igrejas e castelos. Fulcanelli, ainda, intitulou-se um adepto que, séculos antes, havia conseguido realizar o Opus magnum (uma das formas de se referenciar o processo de produção da Pedra Filosofal) e, assim, adquirido grande longevidade.
Até certo tempo, algumas instituições ligadas à alquimia ainda existiam, como a Orifaber, embora seu site tenha sido descontinuado (orifaber.com). O psiquiatra suíço Carl Jung também se mostrou influenciado pela alquimia, desenvolvendo muitas obras acerca do tema, como Psicologia e alquimia, de 1944.
Curiosidades sobre alquimia
- Os alquimistas foram responsáveis pela criação de diversas técnicas experimentais, entre elas a destilação, a calcinação e o banho-maria.
- Jorge Ben Jor, ícone da MPB, lançou, em 1974, o disco A Tábua Esmeralda, com faixas famosas, como “Os alquimistas estão chegando”. Segundo relatos, ele compôs o álbum após uma visão que teve com Gilberto Gil em uma sala de uma casa de 1400 que funcionava como restaurante. A casa, quando construída, era de propriedade de Nicolau Flamel, famoso alquimista.
- Os alquimistas acreditavam que todos os metais apenas diferiam quanto à composição, assim, metais mais comuns poderiam ser aprimorados a metais nobres.
- Os alquimistas defendiam que os metais eram compostos por três princípios: enxofre, mercúrio e sal. Contudo, não se deve pensar quimicamente, mas em “essência”, como bom e ruim. O mercúrio, por exemplo, seria responsável pelo caráter metálico e pela fusibilidade, enquanto o enxofre estaria ligado à cor e à inflamabilidade. O sal seria a impureza. Assim, o ouro seria a proporção perfeita entre mercúrio e enxofre, com a ausência do sal.
- Durante a Idade Média, os alquimistas, preocupados com charlatões e perseguições, desenvolveram símbolos para se referirem aos seus processos ou princípios. Um exemplo é o do rei e da rainha, que representariam a união entre o enxofre e o mercúrio. A salamandra designava o fogo, e o lobo, o antimônio"
O 4 elementos da Alquimia: Fogo - Ar - Água - Terra