Nasceu em Cuiabá, em 19.12.1916, publicou vários livros de poemas e consagrou-se poeta nas décadas de 80 e 90, quando seus poemas eram publicados nos maiores jornais do país.
Era considerado um poeta "espontâneo", buscava inspiração na realidade que o cercava e nas suas considerações sobre a vida. Faleceu em Campo Grande MS, em 13.12.2014...
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som..."
(...)
"Escrever nem uma coisa
nem outra -
A fim de dizer todas -
Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes."
"O rio que fazia uma volta
atrás da nossa casaera a imagem de um vidro mole...
Passou um homem e disse:
essa volta que o rio faz...
se chama enseada...
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás da casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem."
(...)
Não aguento ser apenas um sujeito que
abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6h da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva...
Perdoai
Mas preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando
borboletas.
