TERRA - SOL - LUA - ESTRELAS: agosto 2025
"Debaixo e dentro de todas as aparências ou manifestações exteriores, sempre houve uma Realidade Substancial. Esta é a lei."
(Caibalion)

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

As Runas - o caminho da vida


 As runas são um alfabeto mágico sagrado, cuja finalidade é o conhecimento, aprimoramento espiritual e adivinhação do futuro. Em inglês primitivo, significa mistério ou segredo ( to rown = segredar ). Em norueguês antigo, tem origem na palavra "runar"= signo mágico.

Trabalhar com runas é invocar a energia dos deuses e deusas nórdicos. Muitas espadas de seus guerreiros traziam cristais incrustados no punho com runas inscritas, invocando Tyr ( deus da guerra).

Quando se tenta interpretar símbolos, é preciso inteligência. Não pode existir mecanicidade. Quando estamos diante de um símbolo, não estamos apenas observando-o, mas estamos nos confrontando com a totalidade do universo daquele ou daqueles que o criaram. A imaginação e a intuição são auxiliares na compreensão de seu sentido.

As Runas de Odin

Segundo a mitologia, as runas são dádivas dos deuses a Odin, um homem com cabelos grisalhos e longos, magro e alto. Usa sempre uma capa longa e escura e sacrificou um olho ao deus Mimir, para beber do caldeirão da sabedoria ( o caldeirão é um antigo símbolo da Deusa Mãe ).

A órbita de seu olho vazio é ocultada pela aba de um capuz. Apoia-se num cajado. Pousavam em seus ombros dois corvos: Hugim ( o pensamento ) e Munin ( a memória) que o informavam de tudo. Era protegido por dois lobos. Com apenas um olho azul, possuía uma face forte, com linhas duras.

Conta ainda a história, que para obter a sabedoria das runas, pendurou-se na árvore Sagrada do Mundo, Iggdrasil, por 9 dias e 9 noites. Odin passa então a ser o transmissor de conhecimento para o homem. E da mesma forma que sacrificou-se para adquirir a sabedoria da vida e das runas, é um deus justo, cobrando e disciplinando a vida da humanidade.

O Alfabeto Rúnico

É conhecido como Futharks - O antigo futhark germânico tradicional tem 24 letras, a escrita anglo-saxônia tem 28 a 30 letras e a vicking tem 16 letras. Utilizarei aqui o futhark de 24 letras, que foi dividido em 3 grupos: FREY - HAGAL - TYR, mais a rua de Odin

GRUPO DE FREY

 

As primeiras 8 runas do oráculo falam da vida material do buscador, daquele que procura o autoconhecimento. Fala de riqueza, oferendas, viagens, determinação e sabedoria. Frey era um deus do panteão escadinavo, pertencente a uma raça muito antiga de deuses chamada Vanir
  • FEHU - é a runa dos benefícios materiais, da riqueza. Consagrada ao deus Frey, símbolo da fertilidade, da paz e da prosperidade.
  • URUZ - essa runa significa poder, indica ação frente aos acontecimentos. Seja aquele(a) que através do esforço constrói o seu caminho. Se você tem um desafio. Vença-o.
  • THURISAZ - na simbologia, essa runa está associada ao espinho que pode dificultar uma caminhada. Devemos estar atentos para que não nos machuque ou altere nossa jornada.
  • ANSUZ - indica que o caminho a seguir deve ser o da experiência. É a runa que simboliza as comunicações entre os homens e entre deuses e homens. Ouça a sua intuição, converse, troque ideias e informações. O crescimento também é obtido através da troca.
  • RAIDO - para crescer espiritualmente, aprender sobre os mistérios, é preciso também estar ligado ao mundo material. Somente unindo o físico e o espiritual alcançaremos a iluminação.
  • KANO - runa da abertura, indica a autoconfiança, independente de qualquer coisa, mesmo que as experiências passadas não tenham sido satisfatórias. Confiança no triunfo, sucesso e a certeza de desfecho feliz.
  • GEBO - é a runa das oferendas aos deuses e deusas. Ela nos lembra que tudo tem um preço, sempre temos algo a fazer ou a pagar pelos progressos atingidos.
  • WUNJO - é a runa da alegria, indica que os caminhos estão na direção da felicidade e que o riso deve estar nos lábios, afim de contemplar a glória. Ria para a vida, mesmo que o momento imediato não seja para sorrisos.

GRUPO DE HAGAL


Neste grupo de runas, o buscador vai encontrar as forças elementais da natureza.

  • HAGALAZ - essa runa indica um momento de escolha, mudar de estratégia a fim de que você possa se proteger de forma mais eficaz. Não adianta mais insistir em um caminho que não dará mais certo.
  • NAUTHIZ - indica que muitas vezes os infortúnios são inevitáveis e devem ser vividos, lembrando que eles nos tornam mais fortes e capazes de sobreviver diante das adversidades.
  • ISA - nos revela um período de não-ação, uma pausa para a reflexão na busca do Eu interior. É um momento solitário de autoconhecimento.
  • JERA - indica que existe um tempo para que o aprendizado seja completo e satisfatório. Plantar para colher no tempo certo. Semeadura correta para que a colheita seja justa como as leis do Universo.
  • EIHWAZ - é a runa da paciência que nos leva à compreensão de que espírito e matéria são uma coisa só e a morte, portanto, não é uma ameaça. As dificuldades serão evitadas se você for correto em suas ações.
  • PERTH - pura e simplesmente ter a crença em si, a necessidade de acreditar, Perth é luz que chega dos deuses e ilumina os caminhos.
  • ALGIZ -  é a proteção do perigo, é a esperança de que dias melhores virão e de que tudo se transforma em aspectos mais positivos. Busque a força do Sol, seja íntegro e sincero.
  • SOWELU - simboliza o brilho do Sol e energia positiva, indica que está tudo bem. Indício de um período de realizações, recompensa pelo trabalho feito.

GRUPO DE TYR


Nesta etapa, o buscador será conduzido à conquista de sua meta espiritual.  Deus da guerra, Tyr é um deus bravo e virtuoso.
  • TEIWAZ - é a runa de Tyr, deus da guerra, para os wickings essa runa concentrava poderes sobre-humanos. Ela indica uma ação corajosa frente aos problemas.
  • BERKANA - sabedoria é o que ela aponta, nutre os seres humanos para o nascimento, em todos os sentidos. Orienta a criar novas situações, aproveitar o momento fértil pelo qual você está passando.
  • EHWAZ - indica transformações que foram alimentadas por experiências e aprendizado. Progresso lento, mas seguro.
  • MANNAZ - simboliza a humanidade, aquele(a) que busca conhecimento além do plano terreno. Se você quer as coisas conquiste-as, não deixe seus desejos nas mão de outras pessoas, faça você mesmo o que deve ser feito.
  • LAGUZ - indica um desfecho favorável, um final feliz. É a runa do amor, mas não o simples amor entre duas pessoas. É antes de tudo amor próprio, valorização da intuição e do espírito.
  • INGUZ - é hora do recomeço, de sair da escuridão, de revelar-se para uma nova vida.  Inguz indica um período de recompensas. Acredite em você, se valorize, esta é a chave para o sucesso.
  • DAGAZ - você está protegido(a), pense em ações futuras, planeje novas etapas de seu percurso, indicativo de mudança. Não se deixe dominar pelo medo ou pela raiva, aproveite o momento para encontrar novas perspectivas.
  • OTHILA - simboliza os ancestrais, o encontro do sagrado dentre de si mesmo. O importante é priorizar ações benéficas, sem esperar os resultados. Retire do caminho tudo o que for ultrapassado, não se prenda a situações que não sejam boas para você.


Esta runa não traz um símbolo desenhado sobre ela, é chamada de Runa de Odin. Fala do destino, da grande teia da vida em que estamos presos. Indica fim e começo, impulso criativo e destrutivo, mudanças bruscas. Nada está parado, o mundo se movimenta e com ele a força do destino nos envolve e que possamos tecer com sabedoria a nossa própria vida.

Considerações

Conhecendo as runas, você pode acionar seus pedidos ao Universo.  Toda a sabedoria das runas implica na ligação do material e o espiritual. Os símbolos rúnicos quando desenhados, pintados ou visualizados podem atrair um benefício ou uma energia específica.

Escolha, por exemplo, uma pedra que você encontre durante uma caminhada e desenhe nela o símbolo desejado. Carregue-a sempre junto de você como se fosse um talismã sagrado. 

INVOCAÇÂO A ODIN

Odin, protetor do Sol e do Oceano,
defensor da Lua!
Possuidor da sabedoria oculta, Senhor das Hostes das Fadas,
caçador selvagem do céu,
regente do Inferno e encruzilhadas...
Eu (diga seu nome ) o invoco
 e peço sua ajuda na Grande Obra.
Agora busco ( diga sua intenção )
 com seu auxílio
e a sabedoria das runas mágicas
que estão sob a sua proteção.











segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Alquimia - história / objetivos / alquimistas


A alquimia pode ser entendida como uma arte antiga que mescla elementos de diversos campos, como a Física, a astrologia, a medicina, o misticismo, a religião, entre outros. Tal arte desenvolveu muitos saberes na busca por seus objetivos, impactando, principalmente, a Química.

Embora historiadores defendam que a Química tenha surgido da alquimia, é válido dizer que a alquimia não foi uma ciência empírica ou uma “pré-química”, considerando sua relação com o misticismo. O alquimista, praticante da arte, acreditava que a realização dos saberes causava a si uma grande evolução espiritual.

História da alquimia

A origem da alquimia é tema de muito debate, pois não há um consenso. Alguns autores defendem que há dois ramos principais: a alquimia chinesa e a alquimia ocidental, a qual englobaria, ao longo do tempo, aquela desenvolvida no Egito, na Mesopotâmia, na Grécia, em Roma, na Índia, em países islâmicos e na Europa. Isso porque a alquimia pode ter se iniciado e desenvolvido de forma independente em diversas áreas do planeta em épocas distintas ou próximas.



Objetivos da alquimia

- a transformação de metais comuns em metais mais “nobres” ou “superiores”, como o ouro;

- produzir um elixir que seria capaz de curar toda e qualquer doença;

- prolongar a vida ativa de um indivíduo ao ponto de que ele se torne imortal.

*Tudo isso com a ideia de que tais práticas tornariam o alquimista espiritualmente curado ou elevado.


 Alquimia e a Pedra Filosofal

A influência árabe na alquimia trouxe consigo a palavra elixir. Segundo os alquimistas, as transmutações dos metais só ocorreriam por intermédio de um elixir. Diversos eram citados nos escritos, mas havia um elixir mestre, conhecido como Pedra Filosofal, que poderia ser utilizado para todo tipo de transmutação.

Os 14 símbolos usados na Alquimia

Alquimia e o elixir da imortalidade

A busca por um elixir que pudesse aumentar a duração da vida, ou até mesmo tornar alguém imortal, foi objetivo de busca de quase todas as escolas alquimistas, como os chineses, os indianos, os egípcios, os gregos e os árabes.

No caso da alquimia indiana, em que havia mescla de misticismo e religião, a manipulação de fluidos derivados de elementos básicos  e mercúrio (considerado sêmen do deus Shiva) poderia produzir elixires que seriam capazes de prover poderes mágicos, como longevidade física e, em casos sucessivos, a transformação do corpo em algo além e distante das limitações da matéria física.

Na alquimia chinesa, havia a preocupação da produção de um elixir ou uma pílula da imortalidade, uma substância que, ao ser ingerida, agiria sobre órgãos essenciais do corpo, alterando-o de modo que o indivíduo seria capaz de viver centenas de anos ou, até mesmo, atingir a imortalidade, e assim se tornar um ser divino.

Principais alquimistas

Teria sido um sábio que viveu no Egito Antigo. Trismegisto significa “três vezes grande”. 

Viveu no Egito Romano e foi considerada uma das maiores alquimistas já existentes. É conhecida pelas suas características inovadoras, como o desenvolvimento do aquecimento conhecido como “banho-maria”.

Viveu entre os séculos III e IV d.C., sendo um sacerdote-artesão egípcio, com uma obra imprescindível para a alquimia antiga. Seus escritos abordavam práticas metalúrgicas.

 Jabir ibn Hayyan (Geber)
 Conhecido pelo seu nome latinizado, Geber, é considerado alquimista árabe e um dos fundadores da farmácia moderna. Nasceu na província de Khorasan, no Irã, em 721 d.C.  A ele são atribuídos centenas de livros de alquimia."

Jabir ibn Sina (Avicena)
Nasceu em 980 d.C., em Bukhara, no atual Uzbequistão.  Destacou-se principalmente com suas obras de medicina, como o Cânone, o qual serviu de base para estudos médicos nas principais universidades europeias por, pelo menos, cinco séculos.

Philippus Aureolus Theophrastus Bombast von Hohenheim (1493-1541) foi um suíço mais conhecido como Paracelso. Polêmico e beberrão, defendia que a alquimia deveria centrar na produção de fármacos, não na transmutação de metais em ouro. Defendia a tese de que veneno se combatia com veneno, por isso, defendia o uso de substâncias tóxicas como mercúrio e arsênio para tratamentos.

Também escrito como Nicolas Flamel, viveu entre 1330 e 1418, e foi proprietário de uma livraria em Paris. Tinha grande paixão pela alquimia e dizia ter conseguido transmutar chumbo em ouro. Entretanto, pelo documento que ele deixou e que foi traduzido posteriormente, não foi possível, pelas instruções de Flamel, transmutar chumbo em ouro. 

Isaac Newton
Um dos cientistas mais importantes da história, Newton também se debruçou sobre a alquimia por muitos anos. Manuscritos seus que vieram a público descrevem a preparação de uma substância que converteria metais em ouro e faria qualquer um jovem novamente, uma clara referência à Pedra Filosofal.

Alquimia na atualidade

Após o período de letargia causado pelo desenvolvimento da Química, o interesse na alquimia ressurgiu no século XIX, com correntes ligadas ao ocultismo e à teosofia, principalmente por meio das figuras de Helen Blawatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, e de Albert Poisson e Emile Grillot de Givry, que publicaram diversos livros acerca da história das ciências ocultas, assim como praticaram alquimia material.

No começo do século XX, alguém, sob o pseudônimo Fulcanelli, republicou livros sobre os símbolos alquimistas do século XV presentes em igrejas e castelos. Fulcanelli, ainda, intitulou-se um adepto que, séculos antes, havia conseguido realizar o Opus magnum (uma das formas de se referenciar o processo de produção da Pedra Filosofal) e, assim, adquirido grande longevidade.

Até certo tempo, algumas instituições ligadas à alquimia ainda existiam, como a Orifaber, embora seu site tenha sido descontinuado (orifaber.com). O psiquiatra suíço Carl Jung também se mostrou influenciado pela alquimia, desenvolvendo muitas obras acerca do tema, como Psicologia e alquimia, de 1944.

Curiosidades sobre alquimia

- Os alquimistas foram responsáveis pela criação de diversas técnicas experimentais, entre elas a destilação, a calcinação e o banho-maria.

- Jorge Ben Jor, ícone da MPB, lançou, em 1974, o disco A Tábua Esmeralda, com faixas famosas, como “Os alquimistas estão chegando”. Segundo relatos, ele compôs o álbum após uma visão que teve com Gilberto Gil em uma sala de uma casa de 1400 que funcionava como restaurante. A casa, quando construída, era de propriedade de Nicolau Flamel, famoso alquimista.

- Os alquimistas acreditavam que todos os metais apenas diferiam quanto à composição, assim, metais mais comuns poderiam ser aprimorados a metais nobres.

- Os alquimistas defendiam que os metais eram compostos por três princípios: enxofre, mercúrio e sal. Contudo, não se deve pensar quimicamente, mas em “essência”, como bom e ruim. O mercúrio, por exemplo, seria responsável pelo caráter metálico e pela fusibilidade, enquanto o enxofre estaria ligado à cor e à inflamabilidade. O sal seria a impureza. Assim, o ouro seria a proporção perfeita entre mercúrio e enxofre, com a ausência do sal.

- Durante a Idade Média, os alquimistas, preocupados com charlatões e perseguições, desenvolveram símbolos para se referirem aos seus processos ou princípios. Um exemplo é o do rei e da rainha, que representariam a união entre o enxofre e o mercúrio. A salamandra designava o fogo, e o lobo, o antimônio"


O 4 elementos da Alquimia: Fogo - Ar - Água - Terra