TERRA - SOL - LUA - ESTRELAS: janeiro 2026
"Debaixo e dentro de todas as aparências ou manifestações exteriores, sempre houve uma Realidade Substancial. Esta é a lei."
(Caibalion)

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O pensamento de Spinoza e sua contribuição na Filosofia

 Baruch Spinoza foi um filósofo cuja teoria era centrada na ideia de única substância (Deus/Natureza). Sua filosofia busca a liberdade através do conhecimento e da compreensão dos afetos, visando uma vida ética e feliz, criticava superstições e dogmas religiosos. Nasceu em Amsterdã: 24.11.1632 e faleceu em Haia: 21.02.1677, aos 44 anos, vítima de tuberculose.

Com trajetória marcada pela emigração da família judia de Portugal, que na época fugia do Tribunal do Santo Ofício (perseguição àqueles que não compartilhavam dos dogmas da Igreja Católica), apresentou desde cedo uma inquietação intelectual acerca do conceito de Deus, além do interesse sofisticado pelos estudos de teologia, línguas, filosofia e política.

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Devido a tais pensamentos  "subversivos" e ao perfil irredutível do pensados, em 27 de julho de 1656, a Sinagoga Portuguesa de Amsterdã determinou que Spinoza sofresse o mais alto grau de punição dentro do judaísmo, o chamado "chérem", equivalente à excomunhão no catolicismo, que o punia pelo crime de ateísmo.

Isolado e excluído da comunidade judaica e com registros da família perseguida pelo movimento católico lusitano, Baruch Spinoza dedicou a sua jornada à formulação de teorias inovadoras. Escolheu uma vida simples, sem propriedades, tendo sobrevivido - segundo boatos - de doações de amigos e do ofício de polir lentes.

- As obras de Baruch Spinoza

  • Tratado da reforma do entendimento (1661) - neste livro inaugural, Spinoza expõe os alicerces do seu pensamento filosófico. A partir de sua própria experiência e existência, o autor constata e declara a condição humana como decepcionante, visto esta ser cercada por dúvidas, incertezas e falsidades.
  •  Princípios da filosofia de Descartes (1663) - a obra representa o esforço de Spinoza em tornar os princípios filosóficos de René Descartes mais acessíveis. Sendo que a doutrina de Descartes passou a considerar a autonomia da razão científica e subjetiva mais relevante do que a autoridade tradicional da crença religiosa, estava em voga na Holanda do século XVII, sendo uma das influências de Spinoza.
  • Tratado Teológico - político (1670) - nesta obra polêmica, Spinoza avalia a relação entre religião e política, colocando-se favorável a uma separação de tais esferas. Ele critica a superstição e o fanatismo religioso, enquanto defende a liberdade de pensamento.
  • Tratado político (1677) / texto incompleto, publicado postumamente - trata-se de uma extensão das ideias de Spinoza sobre política, com uma abordagem mais sistemática e profunda. Embora inacabado, o livro examina os fundamentos da organização política e natureza do poder. Para Spinoza, o bem-estar dos cidadãos deveria ser os objetivos principais de qualquer governo.

- Spinoza e seu conceito de Deus

Ele acreditava no "Deus sive Natura", que o Criador estava imerso e era a própria natureza. Explicou assim a natureza de Deus e suas propriedades: que ele existe necessariamente, que é único, que existe e age exclusivamente pela necessidade de sua natureza, que é causa livre de todas as coisas, que todas as coisas existem em Deus e dele dependem de tal maneira que não podem existir nem ser concebidas sem ele, que enfim, todas as coisas foram predeterminadas por Deus, não certamente pela liberdade de sua vontade, ou seja, por seu absoluto beneplácito, mas por sua natureza absoluta, por sua infinita potência.

Ao contrário do que abordavam as instituições do período, Spinoza retifica a proposta de um universo que se perfectibiliza por meio de uma única substância (Deus), infinita, não dependente de mais nada para existir, além de dotada de diversos atributos.

Em outras palavras, significa que o Deus de Spinoza é aquilo que existe por si só, sem motivações exteriores para se consagrar, da mesma forma que todo o mais existente faz parte e é essencialmente Deus.

Einstein e o Deus de Espinoza - @BritBrachaBrasil


- As contribuições de Spinoza para a Filosofia Moderna


Além de ser considerado um dos expoentes de racionalismo moderno, promoveu uma verdadeira ruptura com as concepções tradicionais de Deus, estado de natureza e da  relação entre a mente e o corpo.

A forma de estruturação de seu pensamento - matemática, geométrica, dedutiva e essencialmente racionalista, possibilitou a pavimentação de um caminho para a chamada filosofia das luzes. Por acreditar em uma composição de ética enquanto o desejo de uma vida guiada pela razão e pela busca da compreensão do mundo, atribuiu ao conhecimento uma das formas mais sublimes de contato com o divino.

A filosofia de Spinoza tem um papel fundamental na elaboração de uma vida com liberdade ética e política, distanciando-se do mundo da superstição, do medo, da alienação e do que é falso.